Lembram quando chegávamos da escola, cochilávamos depois do almoço, a tarde encontrávamos os amigos, a maior preocupação era inventar novas brincadeiras, e a hora que não podíamos perder era a da sessão de desenhos? E agora? São provas, estágios, trabalhos. Contas, responsabilidades, compromissos. Datas e horários a serem cumpridos. Sono atrasado, falta de tempo e ter que dizer não pra tantas coisas que gostaríamos de fazer.

Essa é mais ou menos a diferença entra um diário de casal e, um diário de casado.

Eu já atravessei essa barreira há algum tempo. E a transição, apesar de difícil, se fez realizadora com o passar dos anos.
Além de uma aliança, uma certidão, um vídeo, álbum de fotos e atualizar o seu status em diversos sites, traz a profunda e muitas vezes assustadora descoberta de que, o seu amor, não é bem como você sonhava.
Me acostumei a viver curtos relacionamentos, extraia o suco da laranja e trocava antes de ter de espremer o bagaço. E a vida foi feliz enquanto os prazeres surpreendentes da solteirice satisfaziam meu ego e minha ânsia por ser feliz. O tempo transforma: comportamentos e sonhos . Muitos relutam, mas um dia, aquele pequeno vazio cresce, e o buraco fica grande demais pra ser preenchido sozinho.

Casais falam de descoberta. De suposições e até de programação futura.
Casados falam de reinvenção. De conclusões e de manutenção diária.
Casais fazem loucuras, surpreendem o parceiro e ficam um dia sem ligar.
Casados fazem supermercado, sabem a hora e os minutos em que o parceiro chega e ficam um dia sem se beijar.
Casais dizem te amo a cada encontro.
Casados provam o amor a cada gesto.

Casais e casados são a mesma coisa. A diferença é a metamorfose evolutiva de um poder desenvolvido espontaneamente pelo ser humano, chamado amor. Ele transfigura como tudo que existe dentro de nós e se põe à prova constantemente como um selo de felicidade, se submetendo a testes frequentes, onde encontramos respostas às perguntas mais importantes, que carregamos protegidas, com medo de não suprirem nossos anceios.

Quando me casei, já conhecia muto bem a minha esposa. Já morávamos juntos há 3 anos, e sabia onde estava me metendo. O casamento não foi a ponte que me levou pro lado derradeiro de um relacionamento.

Foi como saltar de pára-quedas: lá estavam um rapaz e uma moça incompletos voando alto, num avião cheio de outras pessoas, algumas realmente felizes pois tinham acabado de decolar e outras, que só conseguiam sorrir com a força do vento que lhes rasgava a face.
A paisagem lá de cima é estonteante, são tantas oportunidades que não queremos escolher apenas uma, dá uma falsa sensação de poder e ao mesmo tempo, impotência, pois não se pode tocar. Qual seria a temperatura daquele rio, que se mostra um fio azul lá do alto, e quantas frutas haveriam de existir naquela mata misteriosa?
E então abraçados, saltamos. Claro que exitamos algumas vezes e tivemos medo. Mas junto dele vieram adrenalina, sonhos e esperança. A paisagem se aproximando nos mostrava o que viria pela frente fazendo-nos perceber detalhes que não enxergávamos lá de cima. Cores novas, pássaros e montanhas se mostravam mais bonitos e verdadeiros, e enfim, após 3 anos, o casamento tornou-se um chão firme no qual pisamos, ao menos, um pouco mais preparados, para caminhar por terras incertas e com desafios reais, os quais tardam, mas nunca falham.

Pode ser que no alto dos meus 28 anos de experiência, tudo continue evolucionando ininterruptamente num esforço para me manter com um coração alegre, mas a verdade é que não trocaria o meu dia-a-dia de casado com todas as situações inconfortáveis que ele remete.
Desde que se encontre alguém que também queira saber o gosto daquela fruta, que fica depois daquele vale, onde só se chega caminhando depois de saltar daquele avião… tudo bem! A batalha diária de casado é árdua mas só recompensa aqueles que se arriscam.

julho 15, 2010 | In: Devaneios

Criando um mascote

Recebemos este email do Graacc:

“Tem uma nova bactéria chegando em SP que só é combatida com um tipo de antibiótico que nossas crianças não podem tomar.
Ou seja, se ela se instalar no hospital as crianças correrão risco de morte.
Para bloquear a entrada o único procedimento é o simples ato de higienizar as mãos (com água e sabão ou álcool gel). Por causa disso, vamos fazer uma campanha interna que explica a importância deste ato. Já fizemos um folheto, mas ainda está muito burocrático. Então, pensamos em ter um mascote da campanha.

Meu pedido é esse: vcs conseguem pensar neste mascote? Ele seria como um Zé Gotinha, mas com a função de falar sobre a importância de lavar as mãos.”

Aí vai meu primeiro rabisco de idéia:

julho 13, 2010 | In: Devaneios

Happy rock day!

Mostrem uma lata com criatividade dentro dela, criatividade reside naquela lata e ela é uma lata criativa. Boa sorte, só não vale usar cérebro. Ah, e nem lâmpada.

houveram demais que não foram selecionadas para esta amostra.

julho 12, 2010 | In: Devaneios

Estagiário do mês.

Figurinha enviada pra seleção da Zaw.

julho 10, 2010 | In: Devaneios

Vida curta

O Brick tem dessas de sentar no puff perto da janela e viajar horas olhando pro céu.
Ele é muito sozinho e não tem um quintalzão como muitos outros cachorros.
Mas ao menos ele tem uma cama quente e muito carinho. Comida boa e farta.
Mesmo assim tem uma expressão distante e ambiciosa ao olhar pros topos dos prédios vizinhos.
Talvez seja isso mesmo, de acharmos um remedinho pra cada problema. E o problema principal que é ser feliz não vir embalado ou laçado numa fita vermelha.
Eu seguro-o no colo de vez em quando pra que ele consiga ver os carros nas ruas, parados nos sinais. Tudo tão imenso e nós na nossa realidade inventada.

Um cão e um homem, olhando o mundo da sacada, e com os mesmos pontos de interrogação.

julho 10, 2010 | In: Devaneios

Quem é que lava a louça?

Os domingos sempre trazem desafios caseiros. Além de algumas vezes, uma leve dor de cabeça. Acordo sentindo fome, preguiça e sono. O ronco destaca o vazio dentre os demais sentidos.
Ao cruzar a fronteira com a sala, não me encanta o que o cachorro fez com seu disco voador de borracha. Foi um erro pensar que Brick tinha afinidade com astrologia, perdendo horas a admirar os aviões e o céu, contemplando a vista do último andar de um prédio de 19. Talvez ele apenas sofresse de tédio, algo bastante perturbador na vida de uma família em formação. Agora os pedaços da janela por onde marcianos adentrariam a Terra, são meu primeiro desafio em busca de algo que me confortasse o gemido abdominal.

Nada mal. A vassoura tombada na passagem à cozinha mostra que ao menos o cão havia tentado recolher os destroços da aeronave, quando se despistou com os restos de uma vuvuzela que havia destruído na tarde anterior (num surto de decepção por não ganhar mais salgadinhos e aperitivos de todas as visitas que perambulavam pela casa em dias de jogos do Brasil).
O olhar impiedosamente se volta para a pia. Ainda de pijama, defronte uma gelada e desorientada cozinha, os olhos perdidos numa gosma dentro de um copo. Leite, maionese, iogurte ou alguma secreção? Definitivamente não é minha vez de lavar a louça.

- Vida, vamo acordando! Bom dia!
- Mmmmm.
- Tá com soninho ainda né? Mas já tem gente esperando o café.
- Café? Tá pronto?
- Pronto?
- Gostosoooo… cafézinho.
- To pronto pra fazer, mas tenho algumas panelas, copos, pratos e discos voadores me impedindo.
- Discos voadores?
- Sim eles só vieram buscar manteiga, mas já foram.
- O quê?
- Não… falando sério: Eu lavei a louça ontem, hoje é você.
- Eu sei.
- Então, mas preciso dela limpa agora. Acho que vou fazer omelete.
- Com toast?
- Se você lavar a frigideira.
- Pô! Mas quem fritou linguiça pra visita foi você.
- Mas eram seus amigos!!
- Mas eles já tinham comido pizza, você que bebe e fica querendo fazer porção de tudo.
- Espera aí! Seus amigos vem aqui, eu tento agradar, ainda tenho que lavar a louça e sou chamado de bêbado?
- Alegrinho.
- Mas tem umas gosmas nuns copos.
- Ah! Molhinho especial!
- Molhinho o quê??
- Especial. Você disse que é receita da sua vó. Fez todo mundo provar com as linguiças. E não contou pra ninguém a receita, disse que eram igredientes secretos…
- Sério? Eu fiz molhinho? Mas tem panelas do almoço de ontem. E você nem raspou no lixo. Tem uns pennes e 2 azeitonas obstruindo a decida da água.
- Não fiz nada com azeitona.
- Mais três centímetros de água e vamos ter alagamento na região da cozinha.
- Tenho nojo desse ralinho da pia.
- Eu também, principalmente daquela coisa vermelha que tem nele há meses.
- Poxa!… As piores louças sempre sobram pra mim…

Aquela voz sofrida de quem tem as mãos congeladas ao lavar louça no mês de julho, não me comoveram:

- Ontem lavei panela de arroz queimado.
- Arroz sai facinho.
- Molhinho especial também.


(Olhares perdidos em objetos aleatórios pelo quarto)

- Que horas são?
- Hora de lavar a louça, beiba.
- Já é quase uma da tarde.
- Imagina a fome que eu tô.
- Não faz café, eu faço almoço.
- Ah, lá vem.
- Faço strogonoff.
-De carne?
- De carne.
- Hmmmm.
- Então lava loucinha pra beiba, lava.

Não é apenas o molhinho especial, ou o shoyo no fogão, saco de lixo pra trocar ou aliens mal sucedidos. São os acordos. As deduções e o bom senso. Força de vontade e luvas de borracha. Que nos permitem viver crônicas diárias da vida compartilhada.
A cozinha ficou limpa em 30 minutos, o almoço em quase 1 hora.
E a certeza de que em casa de quem sabe cozinhar, come bem quem lava louça.

junho 14, 2010 | In: Devaneios, Escola de arte

Recomeçando.

Enquanto elaboro o meu site, que vai unir tudo o que gosto e preciso: trabalhos da escola, fotos, textos e particularidades editáveis. Meu computador está vomitando informações pelas entradas usb de tão empanturrado e minha organização se reflete em minutos procurando arquivos. Definitivamente é hora de partilhar um pouco do que venho aprendendo com que o que já aprendi, tudo bem batido e misturado num liquidificador criativo que eu chamo de mente.

Na madrugada passada fui deitar pensando sobre violência urbana. E antes de pensar na composição é preciso analisar as singularidades. Violência é aquilo que machuca, desrespeita, maltrata. Desde um soco na cara até uma frase mal colocada podemos estar violentando algo. Minha mãe sempre me educou pra usar a cabeça e não as mãos na hora de atacar alguém, caso isso se fizesse necessário: “palavras machucam mais que pontapés”.

Violência vai desde o corintiano que jogou um pedaço de concreto no carro em que eu estava, voltando pra casa feliz após presenciar as pedaladas do Robinho, até a dondoca com fone nos ouvidos sentada num lugar reservado para idosos, enquanto uma senhora que já chacoalhou bastante na vida, se agarra ao ferro frio do metrô. Não tão gelado quanto o coração da “violenta” mocinha.

Nesse último caso, o metrô já traz um lado urbano a violência. De uma maneira bem sutil mas viva e aceita numa sociedade acostumada a se preocupar com problemas mais graves: drogas, jovens que crescem sem educação e principalmente os valores familiares.
Superlotação, das vias e dos transportes públicos, transformam pessoas em pilhas de nervos, gangues, meninos de rua, na maioria vítimas dessa violência também, jogam as grandes cidades e suas periferias em uma dimensão cercada dessa urbanidade enfurecida. Ela está presente em todas as esquinas, fique atento para não se contaminar e se tornar um emissor da mesma.

Estive lendo sobre esse assunto desde que o professor nos pediu para criar 4 modelos de capas de livro que mostrassem “violência urbana”; e ao final consegui até mais do que apenas 4. O tema é amplo e nos dá margem para viajar em diversas situações, sempre tomando cuidado para não debandar demais para apenas uma das partes.

abril 4, 2010 | In: Pics

Foto?!

Escolha da natureza.

abril 3, 2010 | In: Pics

Barco em Niagara Falls. Maid of the mist.
tibum